A História de Boa Vista em Seus Prédios
O mês de agosto é um período significativo para o reconhecimento e valorização do patrimônio cultural, especialmente em Boa Vista, cidade que completa 136 anos de história. Este é um momento propício para refletir sobre as construções que fazem parte do passado e que continuam a contar a trajetória da cidade ao longo do tempo. As edificações históricas são testemunhas da evolução e do cotidiano de um povo, ressaltando a necessidade de sua preservação para as futuras gerações.
Casarão da Família Brasil: Um Patrimônio Vivo
O Casarão da Família Brasil, também conhecido como Casa Petita Brasil, é uma das edificações mais emblemáticas de Boa Vista. Este casarão, que se destaca por seu estilo neoclássico, é a segunda construção da cidade, datando do período em que Boa Vista ainda era uma vila. Originalmente, pertenceu ao coronel Bento Ferreira Marques Brasil e está situado na Praça Barreto Leite, em frente à Orla Taumanan. A construção foi erguida utilizando materiais que foram transportados de Manaus, com muitos deles vindos da Europa.
Em 15 de outubro de 1993, o casarão foi oficialmente reconhecido como patrimônio histórico pela Prefeitura de Boa Vista, através do Decreto nº 2.614. Atualmente, a propriedade pertence a Petita Brasil, uma artista multifacetada que, além de professora, é também escritora e produtora cultural. Ela é considerada um dos patrimônios vivos da cidade.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo: Marco Histórico
Outro ponto importante na história arquitetônica de Boa Vista é a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo. Este templo religioso se destaca como a única igreja de estilo germânico na Amazônia e representa uma parte fundamental da formação social e religiosa da região. Suas raízes remontam a uma capela carmelita, possivelmente do século XVIII, sendo consolidada como matriz em 1856, após a chegada dos franciscanos.
Fundada como paróquia em 1892, a igreja passou por diversas modificações ao longo dos anos, incluindo a ampliação feita pelos beneditinos da Ordem de São Bento, que trouxeram o estilo germânico para a estrutura em 1909. O imóvel foi tombado como patrimônio material na década de 1990, reconhecendo sua importância histórica e cultural duradoura.
Prelazia: Sede Histórica e Cultural
O Prédio da Prelazia, localizado na avenida Bento Brasil, é uma construção de grande relevância histórica e visual para os moradores de Boa Vista. Erguido em 1909 pela Ordem dos Beneditinos, esse imóvel neoclássico funcionou como residência oficial para padres e bispos durante o período do Território do Rio Branco.
Em 1944, o prédio serviu de sede para o governo local, onde diversas funções administrativas eram realizadas. Inclusive, o local abrigou uma escola voltada para meninas indígenas, oferecendo educação abrangente que incluía leitura, escrita e habilidades manuais. O Prédio da Prelazia foi tombado pela Prefeitura em 10 de setembro de 1990 e passou por restaurações na década de 1990, preservando sua relevância histórica.
Casa Bandeirantes: Memórias Comerciais
A Casa Bandeirantes é um prédio comercial construído em 1898 que simboliza a atividade econômica da região. Nesse imóvel, funcionava a firma J.G. Araújo, que operava na comercialização de mantimentos entre a Província do Rio Negro e a Freguesia de Nossa Senhora do Carmo, em Boa Vista. Após sua venda ao comerciante libanês Said Salomão em 1928, passou a ser conhecida como Casa Bandeirantes.
Com arquitetura colonial, a edificação foi tombada em 15 de outubro de 1993. Atualmente, preserva apenas sua fachada original, funcionando como anexo de uma unidade de varejo.
Antiga Fazenda Boa Vista e Sua Relevância
A Antiga Fazenda Boa Vista, também conhecida como Restaurante Meu Cantinho, tem suas origens ligadas ao capitão cearense Inácio Lopes de Magalhães, que fundou a fazenda em 1830. Este local foi fundamental na formação da atual capital de Roraima. Com a elevação da freguesia a Vila de Boa Vista do Rio Branco em 1887, o desenvolvimento da área se intensificou.
Com a criação do Território Federal de Roraima em 1940, a cidade foi escolhida como capital, e a Fazenda Boa Vista se tornou uma referência. O imóvel, atualmente um restaurante, foi restaurado em 1996 pelo Projeto Raízes da Prefeitura, consolidando seu papel na preservação da história local.
Casa das 12 Portas: Um Legado Arquitetônico
Localizada no cruzamento das avenidas Jaime Brasil e Bento Brasil, a Casa das 12 Portas é uma estrutura comercial tombada pela Prefeitura em 15 de outubro de 1993, destacando-se por sua importância histórica e cultural. Desde sua construção, esta edificação sempre teve uma função comercial ao longo das décadas.
Embora tenha passado por reformulações internas que alteraram sua aparência original, as doze portas de sua fachada permanecem intactas, sendo uma característica marcante do imóvel. O espaço teve usos variados ao longo do tempo, incluindo o funcionamento de uma loja de celulares e assistência técnica de eletrônicos.
Catedral Cristo Redentor: Simbolismo e Fé
A Catedral Cristo Redentor, situada na Praça do Centro Cívico, é um marco de fé e cultura em Boa Vista, projetada para remeter a formas simbólicas, como uma barca, uma harpa e uma maloca indígena. Inaugurada em 26 de novembro de 1972, as obras tiveram início em 1967 sob a supervisão do bispo Dom Servílio Conti.
Desenvolvido por engenheiros italianos, o projeto com estrutura de concreto armado reflete a estética moderna. A construção foi fruto de uma intensa mobilização da comunidade, que colaborou com materiais e trabalho. Reformas na catedral ocorreram em 2010 e 2011, e em 2022 celebraram-se os 50 anos de sua inauguração.
Igreja São Sebastião e Suas Raízes
A Igreja São Sebastião, localizada na avenida João Pereira de Melo, é um exemplo do estilo neobarroco e representa a dedicação da comunidade local em construir um espaço de culto. Erguida entre 1890 e 1920, a capela foi inaugurada em 20 de janeiro de 1924, dia de São Sebastião, e mais tarde, em 1927, foi entregue à Prelazia de Boa Vista do Rio Branco.
Tornado patrimônio histórico, a igreja mantém características originais, mesmo após os anos de uso e a evolução da cidade ao seu redor.
Igreja de São Francisco das Chagas
A Igreja de São Francisco das Chagas, situada na avenida Capitão Júlio Bezerra, esquina com a avenida Major Williams, foi construída na metade do século XX e tombada pela Prefeitura em 15 de outubro de 1993. A pedra fundamental da igreja foi colocada em 1953, e sua construção foi uma parceria comunitária que envolveu a participação ativa de padres, irmãs da Consolata e cidadãos locais.
A igreja tornou-se paróquia oficialmente em 1970, e a construção, erguida com doações da comunidade, é um testemunho da devoção e da união dos moradores na preservação do patrimônio religioso da região.
Prédio da Intendência: O Coração da Administração Municipal
O Prédio da Intendência é um edifício que representa a história administrativa de Boa Vista. Localizado na rua Floriano Peixoto, esta construção é uma réplica do original, que foi erguido em 1900. Naquela época, a região ainda fazia parte da Província do Amazonas e o prédio serviu como administração municipal e a primeira sede da Prefeitura.
O edifício original foi destruído por um incêndio em 1958, mas foi reconstruído na década de 1990. Hoje, abriga o Centro de Informações Turísticas, promovendo o turismo e destacando a cultura local.
Bazar das Novidades Said Salomão
Construído na década de 1930 e localizado na rua Bento Brasil, nº 72, o Bazar das Novidades Said Salomão sempre teve uma função voltada para atividades comerciais. De propriedade da família Said Salomão, o prédio é um exemplo de ecletismo com influências do estilo colonial.
Tombado pela Prefeitura em 15 de outubro de 1993, o bazar é mais uma das edificações que destacam a importância do patrimônio cultural de Boa Vista, contribuindo para a identificação e valorização da história local.


