Entre cadernos, sonhos e afeto, mãe volta a estudar aos 74 anos com apoio da filha

O Despertar de um Sonho

Ao atingir os 74 anos, dona Diomar da Silva Rodrigues revelou que nunca é tarde para realizar um sonho antigo: a busca pela educação. Atual aluna da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na Escola Municipal Francisco de Souza Bríglia, a motivação dela para retornar à sala de aula veio de sua filha, Kátia Regina Rodrigues, que é professora. Nesta nova jornada, Diomar não apenas conquista a habilidade de assinar seu próprio nome, mas também reitera que a aprendizagem é um objetivo que deve ser perseguido em qualquer fase da vida.

Motivado pela Família

A decisão de voltar a estudar foi grandemente influenciada pela dedicação e apoio da filha. Kátia, que atua como auxiliar pedagógica, viu na EJA uma chance de ajudar sua mãe a realizar o que sempre desejou: ser alfabetizada. Ao ingressar no turno noturno da escola, convidou Diomar para acompanhá-la, e a mãe aceitou prontamente, mesmo com as inúmeras responsabilidades diárias.

Desde então, Kátia observou um brilho nos olhos de sua mãe, que sempre expressou insatisfação por não saber ler. “Um dos poucos arrependimentos que ela mencionou foi não ter a capacidade de ler”. Para sua filha, fazer parte desse processo é um privilégio e um momento de emoção e orgulho, reforçando a coragem e a determinação de sua mãe.

voltar a estudar aos 74 anos

A Coragem de Retomar os Estudos

A emoção se intensificou quando as duas começaram a compartilhar a mesma sala de aulas. Para Diomar, ser ensinada pela própria filha se tornou um momento marcante. A alegria de ser aluna de Kátia era palpável para ambas, enquanto ela fazia questão de tratá-la como ‘professora’ dentro da sala de aula.

Kátia, por sua vez, se sentia honrada e emocionada ao ensinar a mulher que a educou a vida inteira. “Dar aulas para a EJA é especial, mas ensinar minha mãe é uma alegria indescritível. Ver a mudança e os avanços dela também é gratificante,” disse.

O Impacto da Alfabetização

A transformação de dona Diomar em sua jornada de aprendizado impacta não só sua vida, mas também a de todos ao seu redor. A professora Eliezina Freitas, que leciona para a EJA, destaca que muitos alunos chegam inseguros, temendo não serem capazes de aprender.

Conforme os alunos começam a perceber que são competentes, há uma mudança radical na autoestima deles, refletindo em um brilho especial em seus olhos. O reconhecimento de palavras simples ou a capacidade de escrever o nome transformam suas percepções sobre aprender e motivam a continuar progredindo.

Desafios Enfrentados na Educação

A trajetória educacional de Diomar não foi isenta de desafios. O principal obstáculo consistia na insegurança e na indagação sobre sua capacidade de aprendizado, especialmente considerando sua idade. Por muitos anos, as obrigações familiares e as dificuldades da vida tinham tomado o lugar de seus estudos, fazendo com que a vontade de aprender ficasse em segundo plano.

No entanto, com incentivo e suporte, ela começou a romper essas barreiras e abrir portas para novas experiências. O esforço e a determinação dela para acompanhar as aulas e completar as atividades refletem a dedicação que sempre teve em sua vida pessoal e profissional.



Inspiração para Outras Mães

A história de dona Diomar oferece uma fonte de inspiração para muitas mães e outras pessoas que acreditam que a idade impõe limites a suas aspirações educacionais. Seu exemplo ilustra que nunca é tarde para aprender e que é fundamental perseguir sonhos que talvez tenham sido deixados de lado. O retorno aos estudos, em sua perspectiva, é um sinal de coragem e uma afirmação de que é possível superar qualquer obstáculo.

O Papel da EJA na Comunidade

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) desempenha um papel vital na sociedade, oferecendo oportunidades para que adultos e idosos retomem seus estudos e busquem a alfabetização. O acesso à educação é um direito fundamental, e iniciativas como a EJA garantem que aqueles que não tiveram a chance de completar a educação regular possam fazê-lo agora.

No contexto de Boa Vista, a EJA é oferecida em diversas escolas, incluindo áreas urbanas, rurais e indígenas, assegurando que todos tenham acesso às oportunidades educacionais, independentemente de sua localização ou idade.

Histórias de Superação

O relato de dona Diomar é apenas um entre muitos que refletem a força e a determinação de indivíduos em situações semelhantes. Histórias de superação são comuns entre os estudantes da EJA, onde muitos retornam ao ensino para desafiar as circunstâncias e criar novas oportunidades para si e suas famílias.

Essas narrativas não apenas inspiram a comunidade, mas também incentivam mais pessoas a se inscreverem e explorarem suas próprias capacidades de aprendizado.

O Valor do Apoio Familiar

O apoio da família é um aspecto crucial na jornada educacional de qualquer indivíduo. A presença e o incentivo que Diomar recebeu de Kátia foram fundamentais para sua decisão de voltar à escola. Isso destaca a importância do ambiente familiar no processo de aprendizagem e na coragem de enfrentar novos desafios.

O envolvimento ativo da família não apenas fornece apoio emocional, mas também reforça a autoconfiança e motiva indivíduos a darem os primeiros passos em direção ao aprendizado.

Matrículas Abertas para a EJA

A Prefeitura de Boa Vista, através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), lembra que as matrículas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) estão disponíveis o ano todo. Essa modalidade é destinada a pessoas acima de 15 anos que não puderam concluir o Ensino Fundamental na idade correta e desejam retornar aos estudos.

Atualmente, a EJA é oferecida em várias escolas, abrangendo as diversas áreas de Boa Vista. Os horários de matrícula variam, possibilitando que interessados se inscrevam com flexibilidade. A documentação necessária inclui histórico escolar, RG ou certidão de nascimento, CPF, comprovante de residência, cartão do SUS, cartão de vacina atualizado e algumas fotos 3×4.

Algumas das escolas que disponibilizam essa modalidade são:

  • Escola Municipal Francisco de Souza Bríglia – Pricumã
  • Escola Municipal Francisco Cássio de Moraes – União
  • Escola Municipal Glemíria Gonzaga Andrade – Cidade Satélite
  • Escola Municipal Newton Tavares – Calungá
  • Escola Municipal Raimundo Eloy Gomes – Senador Hélio Campos
  • Escola Municipal José Davi Feitosa – Murupu
  • Escola Municipal Indígena Martins Pereira – Comunidade do Morcego

Os interessados devem procurar a unidade escolar mais próxima para detalhes sobre a matrícula e disponibilidade de vagas.



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